Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Dos últimos dias

A vida é boa, não é, minha gente? Eu merma acho.

Sábado, Janeiro 16, 2010

Com quantos cadeados eu me protejo?

Há alguns meses, quando vim morar em Brasília, tive a terrível sensação de ter minha bolsa roubada de dentro do carro de uma amiga. Fomos a um show, deixamos o carro no estacionamento iluminado e seguimos. Na volta, vidro quebrado e minha bolsa roubada. Prejuízo? Sim. Do vidro dela, meus documentos, cartões, maquiagem e o sono das duas. Mas tudo bem, estávamos em segurança, nenhuma agressão física. Menos mal, nos consolaram. Será?

Ontem, ao chegar do trabalho, encontro a porta do meu apartamento aberta, sem arrombamentos. Notebook com todos os arquivos de uma vida roubado, modem de internet 3G além das jóias de prata todas levadas. Roubo aparentemente rápido, sem mexer em muitas coisas. A chave havia sido trocada, mesmo assim, entraram aqui. Delegacia, faz B.O. e responde a várias perguntas. Faça uma lista de tudo que roubaram, diz o moço educado. Posso pôr aí nesse documento que roubaram o meu sossego?

É preciso trocar a fechadura, mais uma vez. Como iria dormir? Ligo pro chaveiro, a perícia chega, não podemos concluir nada aqui, você mexeu na fechadura. Sim, eu precisava pelo menos me sentir mais segura. Eu entendo, mas infelizmente não podemos seguir com a investigação. Ok, obrigada, boa noite. Frustração. Histórias de outros vizinhos que também foram roubados. Todo mundo tem uma teoria. Um prédio com aluguel e condomínios altos, parte nobre da cidade por assim dizer, com dois porteiros e ninguém viu nada, ninguém sabe de nada.

Fechadura nova, agora uma tetra também. Coloca uma correntinha, disse um. Coloca cadeado também, completa outro. Pode pôr grade? quer saber minha mãe aflita ao telefone. Com quantas fechaduras me protegerei? Fico ou saio de casa? Posso viajar e deixar tudo aqui? Para onde for, terei que levar comigo computador, televisão, geladeira, microondas, cama, celular, ventilador, jóias, relógio, sapatos, bolsas, malas, roupas, livros? Devo todo dia observar se falta algo na minha mesa, nas minhas bolsas, se um brinco sumiu?

Não quero viver cercada por grades, com chaves de cadeados que podem ser arrombados. Por quanto tempo vou viver a apreensão de não saber o que encontrar dentro de minha casa? Numa época em que nem se conhece os vizinhos, em quem confiar? Cada um por si, Deus por ninguém? Adianta rezar, espernear, especular? Compra uma arma, brincou o filho de um amigo. Não, não compro. Não, não quero perder a vontade de sair e de voltar pra casa, nem de dar bom dia aos vizinhos, nem desconfiar de qualquer um. Não vou colocar lacre em mim.

O roubo, lamento muitíssimo. Lamento também a falta de caráter em invadir uma casa, levar um bem de outrem, devassar a minha vida documentada dentro daquele HD. Pegar meus anéis de prata favoritos, minha aliança, os brincos e colares que ganhei, que comprei com dinheiro de trabalho. Mas não vão levar meu bom humor, nem o carinho que recebi dos amigos que me acompanharam à delegacia, trouxeram jantar, ligaram, vieram aqui em casa e até me cederam computador e internet seus para ficar comigo o quanto eu precise. Não permitirei que me mudem nem que me assustem mais. O medo dá origem ao mal. Aqui, ele não terá vez.

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Cordão, cordões

Eu queria muito escrever sobre o deslumbramento que senti ao ouvir o cd novo de Alessandra Leão. "Dois Cordões" é de uma beleza sem igual. A voz de Alessandra está mais segura, poderosa mesmo. Não conheço ninguém com um timbre como o dela. A segunda faixa me chamou demais a atenção pelo momento do ano que estamos vivendo. "Boa hora" diz exatamente o que eu quero dizer, por isso ela virou minha mensagem de fim de ano aqui no blog. Quanto ao cd, recomendo a todos que ouçam, do começo ao fim. Prestigiem Alessandra nos shows que ela fizer pelas suas cidades. Vale a pena demais, demais.

Fico por aqui, torcendo para que 2010 seja um ano massa pra gente.



"anda o teu andar sem pressa
chega, boa hora é essa
entra, puxa essa cadeira
tem a tarde inteira
quase que eu perdi o medo
deixa de guardar segredo
deita, espera amanhecer
sabe como deve ser
traz de volta a claridade
arde um sopro de saudade
senta, deixa de bobeira
a vida é tão ligeira
a promessa que eu fiz foi diferente
pois na volta parece que é mais perto
não há jeito melhor que jeito certo
quem quer sombra é melhor jogar semente
quando for dar um passo olhe pra frente
saiba bem do caminho da largada
e não vá se perder com tanta estrada
não se pode esquecer do objetivo
não há laço maior que o afetivo
nem amparo melhor que a madrugada"

Boa Hora - Alessandra Leão

Quer conhecer mais sobre ela? Vai bem aqui ó: http://www.myspace.com/alessandraleao

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Enche o meu copo de espuma

Quando vi um pequeno anúncio na semana passada falando sobre o show de Isaar num bar aqui de Brasília entrei em euforia. Há tempos queria rever essa moça no palco. Desde que lançou o bonito "Azul Claro", não tinha conseguido ainda. A última vez que assisti sua performance, se não me falha a memória foi ainda no trabalho com DJ Dolores. Agora, com o cd "Copo de Espuma", eu corri num domingo chuvoso, véspera de feriado local, para conferir ao vivo as novas músicas.

Quando Isaar tocava no Comadre Fulozinha, eu ficava abismada sempre com a voz incomum dela. Aliás todas as meninas que foram do Comadre agora estão com trabalhos muito bacanas. Cada uma na sua praia. Mas Isaar, para mim, é uma das cantoras mais fantásticas da sua geração. A minha maior surpresa foi vê-la tão à vontade no palco, tão linda, linda, linda e tranquila diante de uma platéia que foi arrebatada pela sua voz e performance. Entrou de vestido verde, mais magra, confiante, com o cabelo rasta cheio de fitas laranja. Cantou uma, tocou maraca, agradeceu com o sotaque que reconheço tão bem. Tocou outra, brincou com olhares, comandou os músicos com movimentos suaves dos braços, tocou abê, alfaia, dançou sozinha e com o público. A luz do show deixava sua pele azul, verde, vermelha e ela se divertia ali.

Lembrei de um Abril Pro Rock, quando ela ainda era vocalista do Dj Dolores e a Aparelhagem. Era tímida, cantava olhando para baixo, se escondia, não falava com o público. Que surpresa boa encontrá-la assim, confiante, com uma presença de palco que poucas têm. A voz está ainda mais cristalina, mais forte. O som dela é moderno e cheio de poesia, não canso de ouvir, mas não é para todo mundo. Confesso, achei tão melhor ao vivo! Pena que poucas pessoas compareceram ao Balaio Café para vê-la. Teriam encontrado uma artista incrível de quem muito ainda irão ouvir falar, mesmo ela já tendo 10 anos de carreira. Eu recomendo, ouço e quando puder, verei outro show. Nem que seja só no carnaval.

Se quiser ouvir a moça, vai ali no My Space dela.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Lá é o meu lugar


Não tem jeito. Eu passo o ano esperando fevereiro chegar para subir e descer as ladeiras de Olinda atrás dos meus blocos favoritos. Sofro no calor, com a multidão mas encaro horas de shows no Recife Antigo e choro de saudade na quarta-feira ingrata de Cinzas. Fico eufórica pensando no colorido dos maracatus, ensaio meus passos de frevo, cantarolo cirandas e afoxés. Não há festa que me defina melhor, não há mês que me faça mais feliz, não há destino de viagem que me seduza a trocá-lo.

Já escolhi as fantasias, fiz na cabeça o trajeto mental de por onde passarei, já escuto os clarins de Momo bem aqui do meu lado. Na farra, levo os amigos para a mesma casa, planejamos as roupas parecidas e combinamos de ganhar mais resistência no corpo e na saúde. Começa o estoque de vitamina C, o reforço nas caminhadas, a promessa de dieta. Depois de cinco anos estarei solteira naquelas ruas e não há como não esperar os amores de carnaval, os pierrots da minha volta como Colombina. Tudo faz parte da magia. Não sei aonde passarei Natal e nem em que cidade entrarei 2010, mas sei que em fevereiro estarei em Pernambuco porque lá é o meu lugar.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Dos quereres

Sou dessas pessoas decididas. Se quero, quero. Demoro poucos minutos para bater o olho numa mercadoria e levar para mim. Não me retenho em lojas, não provo milhares de coisas antes de decidir do que gosto. Sou prática, rápida e objetiva. Mas no campo da sedução, ah, aí a coisa é diferente. Apesar da clareza de intenções, o ritual do avançar e voltar um passo me interessa. Nessa minha nova vida de solteira, tem sido engraçado voltar a isso. Os cuidados, as palavras escolhidas, as descobertas dos gostos, dos cheiros, das aventuras, preferências. Tudo me interessa.

Sempre fui de rompantes. De me apaixonar e pegar um avião, um trem, uma balsa, qualquer coisa para ver a pessoa lá na Conchinchina. Sem medo, sem expectativas, só para viver momentos em tons de vermelho. O coração acelera, o corpo aquece, o sangue corre ligeiro. Quero sempre descobrir o que há por trás das palavras. Dificilmente paquero na noite, é preciso conversar, pelo menos alguns minutos. Um mínimo de estímulo intelectual. Os grandes amores e amantes começaram assim comigo. E do mesmo jeito que chegam, vão embora. Sofro, me rasgo, me desespero. Subo, desço, dou mil rodadas, me descontrolo, adoeço, encho a cara. E esqueço. Passo para a próxima casa do jogo.

Domingo, Novembro 08, 2009

Das estantes

Aprendi a ler cedo, antes de todas as crianças de minha escola. Acho que movida pela curiosidade. Lembro como se hoje fosse, sentada no colo de meu pai na cozinha da casa do campo, lia com ele as manchetes do Diario de Pernambuco. Ele achava graça, pedia para eu ler as legendas. Eu me exibia, lia os subtítulos também.

Minha casa sempre teve muitos livros. Havia uma coleção ilustrada com as lendas do folclore brasileiro. Boitatá, Saci Pererê, Curupira foram aos poucos tornando-se meus companheiros de aventura. As lembranças de meus seis anos não são de assistir ao Balão Mágico na TV, mas a de vasculhar as estantes da sala e me deparar com a obra de Monteiro Lobato e um dicionário. Aquele livro repleto de palavras me encantou de uma maneira que todos os dias ao chegar da escola escolhia 10 palavras para decorar os significados. Depois, corria até as empregadas e contava o que tinha aprendido. Ensinei ao nosso papagaio as mais difíceis e engraçadas para a minha pouca idade: catástrofe, nauseabundo, pachorra (que ele repetia como cachorra)...

Morávamos no interior de Pernambuco e não havia livrarias na cidade. Os livros eram adquiridos através dos vendedores porta a porta e sempre que um chegava em nossa casa, eu e minha irmã tínhamos ataques de euforia. Para desespero de minha mãe e salvação do mês do cacheiro, queríamos as coleções todas. Contentes, passávamos horas folheando as novas aquisições, sentindo o cheiro do papel novo, a textura das páginas. Eram momentos de entrega profunda e quando a viagem da leitura começava, a vida lá fora congelava.

Quando fiz dez anos, visitando meus avós no Recife, mainha disse que eu poderia escolher meu presente de férias. É que não tínhamos hábito de nos presentear em datas normais como aniversários, dia das crianças e Natal. Dar um presente era a qualquer hora, sem motivos especiais. Eu disse a ela que queria conhecer uma livraria e escolher um livro. Foi aí que dei de cara com a Livro 7, bem no centro da cidade.

Meus olhos nunca tinham visto coisa como aquela. Estantes repletas, capas coloridas, volumes ilustrados, revistas, jornais, gente sentada em banquinhos lendo. Não sei por quanto tempo demoramos ali. Escolhia um novo livro, depois colocava de volta, escolhia outro. Andava lentamente, com medo que se corresse poderia perder algum volume que me passasse rápido pelos olhos. O dono perguntou a minha mãe se era a minha primeira vez ali e ela respondeu sorridente que sim. Acho que notando a minha angústia, foi até mim e disse que poderia voltar quando quisesse. Agarrada com uns seis exemplares de autores diferentes expliquei que morava em outra cidade e queria levar livros para o semestre todo.

Escolhi Guerra Dentro da Gente de Paulo Leminski. "Um apenas", pediu minha mãe. Depois desse vieram muitos outros. Ir a Recife significava mais que ver a família, era visitar a Livro 7. Alguns anos mais tarde, quando nos mudamos em definitivo para a capital, minhas tardes de sexta-feira eram dedicadas aquele lugar mágico. Lá descobri Fernando Pessoa, Mário Quintana, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Marx, Nelson Rodrigues, Ascenso Ferreira. O dinheiro da mesada tinha destino certo.

Hoje, ao chegar em uma nova cidade, os primeiros lugares pelos quais pergunto são botecos, livrarias e sebos. Quando fui morar em Fortaleza, minha mãe só acreditou que era para valer ao pedir que me enviasse os meus livros. Agora, em Brasília, não posso descrever a felicidade com a qual recebo a notícia de que uma caixa com conteúdo inestimável segue do Ceará para cá pelas mãos de um amigo. Mal posso esperar para abri-la e reconhecer os cheiros, as texturas e as histórias contadas. Minha casa começa a ficar completa.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Dos dias

Caminhada. Terapia. Ioga. Cerveja. Choro. Música. Reza. Amigos online. Novas companhias. Banho de chuva. Suor. Spicy. Beirut. Líbanus. Dançar. Gargalhar. Família. Raiva. Ex. Saudade. Possibilidades. Equilíbrio.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Casa vazia, cheia de mim

Um painel de cores de chita e fitas de cetim azuis. Minha janela escancarada para ver a chuva. Uma cerveja gelada e um samba de João Gilberto ao fundo. Eu, feliz e tranquila. Tudo é novo e tudo é meu. A porta está aberta mas ninguém precisa passar por ela. Casa vazia, cheia de mim.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Depois da tempestade

É época de calmaria. Conversar ainda é o melhor negócio. Iniciemos agora, um novo ciclo.